Vitória da Conquista-Bahia, 26 de abril de 2007.
Á
Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
Att. Todos os Bispos e Comunidades católicas do Brasil
NESTA
Caríssimos Irmãos em Cristo,
A Rede Globo já alguns dias vem apresentando, no Jornal Nacional, um quadro com o título: VOU VER O PAPA, onde algumas pessoas apresentam “suas peripécias” para chegarem em São Paulo, tanto individuais como em caravanas, e assim, de algum modo, poderem ver o Papa, sendo algumas muito mirabolantes para “este sacrifício”. De outro lado vemos a grande manifestação das redes de hotelarias e de turismos vibrarem pelo grande fluxo de movimentação em seus negócios com a vinda do Papa ao Brasil, como, também, o “grande empenho” da Igreja e das autoridades civis para acolher bem o Papa.
Só que eu, católico apostólico romano atuante em movimentos e pastorais da Igreja, gostaria de afirmar para os senhores bispos, como autoridades máximas da Igreja, da qual eu comungo na fé, que não vejo motivo em tanta empolgação para ver o Papa, e, assim, portanto afirmo NÃO IREI VER O PAPA. Poderia muito bem conseguir licença do trabalho, não me sufocar tanto financeiramente por causa da viagem, enfim, poderia possibilitar-me totalmente para chegar a São Paulo na data em que Bento XVI estará no Brasil, só que não “farei este sacrifício” unicamente por causa da própria condução que a Igreja esta dando com a chegada de Bento XVI.
Desculpem a minha franqueza, mais quem esta chegando ao Brasil é simplesmente um Chefe de Estado e não a representação real do Cristo no meio do seu povo. Para tanto, basta vermos o grande aparato que os poderes constituídos (os quais terão mais acesso à autoridade, do que o Povo de Deus) estão se virando para acolher Bento XVI, não só pelo anseio do marketing político (lembrando que em 2008 haverá eleições municipais e como lá estará grande multidão, aqueles que correrão atrás dos eleitores, não deixarão “passar” esta oportunidade, a qual servirá como trampolim eleitoreiro), como, também, no sentido de deixar tudo limpo, belo e encantador para que Bento XVI veja com bons olhos a “vibração e a acolhida do povo brasileiro”, começando, principalmente, por “limpar” das ruas de São Paulo (marcadamente na Praça da Sé, local onde fica o Mosteiro de São Bento, onde Bento XVI ficará mais tempo hospedado) os sem tetos, mendigos e maltrapilhos, ou seja, tudo o que venha a lembrar a miserabilidade do povo brasileiro, bem como as Igrejas, por onde o Papa passará, terão que fazer reluzirem mais fortes ainda os seus “andores de riquezas”, como, também, fazendo com que os organizadores da visita, venham somente a darem permissão para chegarem junto ao Papa somente os que estiverem “vestidos a caráter”, ou que estejam na linha dos preparativos, conforme devidamente orientados... Outro fato a ser destacado, e que motiva mais ainda o meu desejo de não querer ir ver o Papa, é o fato, já devidamente registrado pela mídia (não somente a laica, mas também a religiosa), de, em tese, todo o conteúdo “das falas” de Bento XVI aqui no Brasil, onde será focado muito mais um “lado espiritual” da Igreja hoje no mundo, do que “o lado espiritual” de como ser Igreja hoje no mundo, embasada no cerne do Ser de Jesus. E assim de antemão, pergunto: onde estará, nesta visita (como na realização da V CELAM), o espírito, que deveria nortear a Igreja, de trazer o Cristo Ressuscitado para o meio do seu povo? por que a Igreja, marcadamente a sua oficialidade, deixará passar em branco este evento, para ficar calada (deixando de lado o seu profetismo) em relação aos sofrimentos e as mazelas que os povos da América e do Caribe estão a viverem hoje em dia? por que a Igreja “não se junta”, ao lado do seu Chefe para mostrar e denunciar, para o mundo, como anda a realidade dos pastores que servem, na ação concreta do ser de Cristo, junto ao povo, principalmente quando atentamos para “o calvário de Dom Erwim”, bispo do Xingu (realidade esta que a própria Igreja do Brasil “fecha os olhos”); as realidades dos missionários que trabalham juntos aos sem tetos, índios, sem terras, presos e excluídos, enfim com os parias da sociedade, como, também, o achincalhamento às pessoas de Dom Pedro Casaldaliga e Dom Paulo Evaristo Arns (e por extensão às memórias de Dom Luciano Mendes, Dom Ivo Lorscheider...), manifestada por um baluarte(?) de uma grande força da Igreja, notadamente no campo perigoso da mídia? será que deveremos esperar que surjam novos mártires (assim como Irmã Doroty a mais recente) para que a Igreja volte a ser a voz de Deus para o povo? será que o Papa, concretamente, virá somente para institucionalizar mais ainda a Igreja, fazendo com que Ela fique mais ainda distanciada do enraizar o Cristo no meio do povo? será que, mesmo após a partida do Papa, o trovejar da Igreja será somente os momentos de adoração e a vontade de atingir os 100% (muito mais no intuito de “se vender” uma espiritualidade), para continuar a encher os templos, deixando o Cristo a continuar desfigurado no seio do povo sofrido? será que não poderemos ver, de fato, o Cristo Ressuscitado, vir a se manifestar no seio da própria Igreja, fazendo, suas autoridades, voltarem a descerem dos púlpitos e virem para o meio do povo, assim como o Cristo viveu? será que a santificação do Frei Galvão, poderá fazer com que a Igreja, também, venha a ser santa, principalmente no saber servir ao povo? será que as nossas autoridades eclesiais poderão voltar a conviver, sem o lado romano, como Igreja junto ao povo? será, será, será...???????????
Não irei ver o Papa! Mas, daqui, desde já, mesmo sendo um misero servo desta Igreja, o qual muitas vezes não é ouvido (também qual a autoridade tenho para tanto?), nem entendido, mas, usando um direito democrático e universal(?), de poder se expressar, faço, por meio das autoridades espirituais de nossa Igreja, os bispos, tentar chegar estas minhas reflexões tanto aos mesmos, como, por imaginação e vontade, as “outras excelências” e principalmente ao Papa Bento XVI (quanta presunção!) , somente como pressupostos (vivenciados) para reflexões e bom andamento para esta nossa missão de sermos discípulos e discípulas do Senhor.
Não irei ver o Papa! Mas rezarei para que a sua missão “entre nós” venha a ser muito mais de um Pai Espiritual, do que de um estadista.
Não irei ver o Papa! Mas continuarei sempre em comunhão, mesmo que as vezes destoante, com sua Igreja, a qual foi balizada no Cristo Ressuscitado e assim é a minha crença! Amém!
Saudações fraternas do irmão em Cristo,
HELIO DA SILVA GUSMÃO FILHO
Paróquia das Candeias
Arquidiocese de Vitória da Conquista
Á
Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
Att. Todos os Bispos e Comunidades católicas do Brasil
NESTA
Caríssimos Irmãos em Cristo,
A Rede Globo já alguns dias vem apresentando, no Jornal Nacional, um quadro com o título: VOU VER O PAPA, onde algumas pessoas apresentam “suas peripécias” para chegarem em São Paulo, tanto individuais como em caravanas, e assim, de algum modo, poderem ver o Papa, sendo algumas muito mirabolantes para “este sacrifício”. De outro lado vemos a grande manifestação das redes de hotelarias e de turismos vibrarem pelo grande fluxo de movimentação em seus negócios com a vinda do Papa ao Brasil, como, também, o “grande empenho” da Igreja e das autoridades civis para acolher bem o Papa.
Só que eu, católico apostólico romano atuante em movimentos e pastorais da Igreja, gostaria de afirmar para os senhores bispos, como autoridades máximas da Igreja, da qual eu comungo na fé, que não vejo motivo em tanta empolgação para ver o Papa, e, assim, portanto afirmo NÃO IREI VER O PAPA. Poderia muito bem conseguir licença do trabalho, não me sufocar tanto financeiramente por causa da viagem, enfim, poderia possibilitar-me totalmente para chegar a São Paulo na data em que Bento XVI estará no Brasil, só que não “farei este sacrifício” unicamente por causa da própria condução que a Igreja esta dando com a chegada de Bento XVI.
Desculpem a minha franqueza, mais quem esta chegando ao Brasil é simplesmente um Chefe de Estado e não a representação real do Cristo no meio do seu povo. Para tanto, basta vermos o grande aparato que os poderes constituídos (os quais terão mais acesso à autoridade, do que o Povo de Deus) estão se virando para acolher Bento XVI, não só pelo anseio do marketing político (lembrando que em 2008 haverá eleições municipais e como lá estará grande multidão, aqueles que correrão atrás dos eleitores, não deixarão “passar” esta oportunidade, a qual servirá como trampolim eleitoreiro), como, também, no sentido de deixar tudo limpo, belo e encantador para que Bento XVI veja com bons olhos a “vibração e a acolhida do povo brasileiro”, começando, principalmente, por “limpar” das ruas de São Paulo (marcadamente na Praça da Sé, local onde fica o Mosteiro de São Bento, onde Bento XVI ficará mais tempo hospedado) os sem tetos, mendigos e maltrapilhos, ou seja, tudo o que venha a lembrar a miserabilidade do povo brasileiro, bem como as Igrejas, por onde o Papa passará, terão que fazer reluzirem mais fortes ainda os seus “andores de riquezas”, como, também, fazendo com que os organizadores da visita, venham somente a darem permissão para chegarem junto ao Papa somente os que estiverem “vestidos a caráter”, ou que estejam na linha dos preparativos, conforme devidamente orientados... Outro fato a ser destacado, e que motiva mais ainda o meu desejo de não querer ir ver o Papa, é o fato, já devidamente registrado pela mídia (não somente a laica, mas também a religiosa), de, em tese, todo o conteúdo “das falas” de Bento XVI aqui no Brasil, onde será focado muito mais um “lado espiritual” da Igreja hoje no mundo, do que “o lado espiritual” de como ser Igreja hoje no mundo, embasada no cerne do Ser de Jesus. E assim de antemão, pergunto: onde estará, nesta visita (como na realização da V CELAM), o espírito, que deveria nortear a Igreja, de trazer o Cristo Ressuscitado para o meio do seu povo? por que a Igreja, marcadamente a sua oficialidade, deixará passar em branco este evento, para ficar calada (deixando de lado o seu profetismo) em relação aos sofrimentos e as mazelas que os povos da América e do Caribe estão a viverem hoje em dia? por que a Igreja “não se junta”, ao lado do seu Chefe para mostrar e denunciar, para o mundo, como anda a realidade dos pastores que servem, na ação concreta do ser de Cristo, junto ao povo, principalmente quando atentamos para “o calvário de Dom Erwim”, bispo do Xingu (realidade esta que a própria Igreja do Brasil “fecha os olhos”); as realidades dos missionários que trabalham juntos aos sem tetos, índios, sem terras, presos e excluídos, enfim com os parias da sociedade, como, também, o achincalhamento às pessoas de Dom Pedro Casaldaliga e Dom Paulo Evaristo Arns (e por extensão às memórias de Dom Luciano Mendes, Dom Ivo Lorscheider...), manifestada por um baluarte(?) de uma grande força da Igreja, notadamente no campo perigoso da mídia? será que deveremos esperar que surjam novos mártires (assim como Irmã Doroty a mais recente) para que a Igreja volte a ser a voz de Deus para o povo? será que o Papa, concretamente, virá somente para institucionalizar mais ainda a Igreja, fazendo com que Ela fique mais ainda distanciada do enraizar o Cristo no meio do povo? será que, mesmo após a partida do Papa, o trovejar da Igreja será somente os momentos de adoração e a vontade de atingir os 100% (muito mais no intuito de “se vender” uma espiritualidade), para continuar a encher os templos, deixando o Cristo a continuar desfigurado no seio do povo sofrido? será que não poderemos ver, de fato, o Cristo Ressuscitado, vir a se manifestar no seio da própria Igreja, fazendo, suas autoridades, voltarem a descerem dos púlpitos e virem para o meio do povo, assim como o Cristo viveu? será que a santificação do Frei Galvão, poderá fazer com que a Igreja, também, venha a ser santa, principalmente no saber servir ao povo? será que as nossas autoridades eclesiais poderão voltar a conviver, sem o lado romano, como Igreja junto ao povo? será, será, será...???????????
Não irei ver o Papa! Mas, daqui, desde já, mesmo sendo um misero servo desta Igreja, o qual muitas vezes não é ouvido (também qual a autoridade tenho para tanto?), nem entendido, mas, usando um direito democrático e universal(?), de poder se expressar, faço, por meio das autoridades espirituais de nossa Igreja, os bispos, tentar chegar estas minhas reflexões tanto aos mesmos, como, por imaginação e vontade, as “outras excelências” e principalmente ao Papa Bento XVI (quanta presunção!) , somente como pressupostos (vivenciados) para reflexões e bom andamento para esta nossa missão de sermos discípulos e discípulas do Senhor.
Não irei ver o Papa! Mas rezarei para que a sua missão “entre nós” venha a ser muito mais de um Pai Espiritual, do que de um estadista.
Não irei ver o Papa! Mas continuarei sempre em comunhão, mesmo que as vezes destoante, com sua Igreja, a qual foi balizada no Cristo Ressuscitado e assim é a minha crença! Amém!
Saudações fraternas do irmão em Cristo,
HELIO DA SILVA GUSMÃO FILHO
Paróquia das Candeias
Arquidiocese de Vitória da Conquista
2 comentários:
Caro, Hélio,sou solidario a sua posição,já que infelizmente, os menos favorecidos,vão estar bem distante do Papa, mas creio eu, que um dia, nos trataremos como irmãos novamente, sem bareiras,e guardas, nos separando um dos outros.
Para um católico publicar uma carta aberta dessas duas coisas são bem patentes: (i) Trata-se de uma pessoa muito orgulhosa que quer chamar atenção sobre si e (ii) Seu catolicismo já está por um fiozinho, se é que já não acabou-se.
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