Recebi a palavra de Javé que me dizia: “Antes de formar você no ventre de sua mãe, eu o conhecia; antes que você fosse dado à luz, eu o consagrei, para fazer de você profeta das nações”. Mas eu respondi: “Ah, Senhor Javé, eu não sei falar, porque sou jovem”. Mas disse Javé: “(...) Hoje eu estabeleço você sobre as nações e reinos, para arrancar e arrasar, para demolir e destruir, para construir e plantar”. (Jr 1, 4-6a.10).
Em nossa sociedade muitos e muitas procuram seguir alguém ou algo. Seguir é uma dimensão humana que mostra o quanto necessitamos de paradigmas que se tornaram na pós-modernidade uma forma de adesão ao grupo social, ao pensamento hegemônico em vigor ou a modismos e tribos sociais desde “punks” a “jovens espiritualistas”, do movimento hip-hop a grupos de esquerda ligados a movimentos revolucionários, de apolíticos a fanáticos de um neonazismo e muitos outros. Todos se encontram nessa sociedade plural na qual vivemos e tentamos conviver. A vivência é inevitável, já a convivialidade se torna conflituosa numa sociedade com tantos grupos, ideologias e tribos de pensamentos e ações que são opostas e diferentes. Por outro lado, apesar de tantas diferenças somos tentados por um novo momento na história que tenta implantar o pensamento único, principalmente, na cultura e na economia. Um pensamento único com diferentes grupos, esta é a nova geografia mundial.
Quando alguém diz que segue a si mesmo quer mostrar (ou pelo menos tenta) que não se encontra ligado a nenhuma forma de doutrina, seita, religião, ideologia ou posição. Muitos filósofos no decorrer da história afirmaram que somos condicionados pela história, pela sociedade na qual vivemos e pela cultura donde nascemos. Neste ambiente construímo-nos enquanto seres humanos e como Pessoa Humana com valores, moral, códigos e signos.
Por isso, seguir é uma atitude humana. Pode-se seguir uma religião como o budismo ou islamismo. Outros seguem doutrinas agnósticas ou ideologias filosóficas. O que nos identifica é o seguimento. A forma de estar seguindo um projeto compreende o ato em si do seguimento. O que se torna diferente é o conteúdo do seguimento. O seguimento, mesmo sendo uma atitude humana, possui sua essência na transcendência. Só se torna seguidor aquele que transcendeu, logo, seguir é uma experiência espiritual.
E hoje, como cristãos e cristãs, como seguir a Jesus? A nossa espiritualidade se define como o seguimento a Jesus e ao Projeto do Pai. Seguir é ter uma espiritualidade. Para os cristãos e cristãs, é nossa espiritualidade. Seguir a Jesus hoje continua desafiando a milhões de pessoas que acreditam no plano da fé em seu projeto. Mas, seguir a Jesus supera o simples ato de fé. Seguir a Jesus significa assumirmos sua causa, suas atitudes, vivendo segundo o Espírito.
Seguir a Jesus hoje significa estarmos conscientes da História que nos cerca e dos desafios que nos atingem em nossas realidades. Antes, no tempo de Jesus, o seguimento se dava sob a realidade do Império Romano; hoje, seguir a Jesus significa estar sob a realidade do Império neoliberal. Viver o seguimento num contexto do neoliberalismo e globalização nesta América Latina e no Brasil, ainda na marginalização social.
O Império neoliberal está conseguindo alastrar e demarcar seu território. Hoje, o neoliberalismo se encontra em setores estratégicos da sociedade como política, cultura, economia e nas religiões. Até mesmo as religiões se curvam ao deus do império. Alguns buscam ser caminho alternativo ao projeto neoliberal, mas já podemos vislumbrar sementes do império penetrados no cristianismo e no islamismo. Por isso, seguir a Jesus hoje se torna um grande desafio para todos nós. Corre-se o perigo de cairmos na tentação do poder, do deus dinheiro, do orgulho, do individualismo, da competição e do consumismo desenfreado. Muitos escolhem a religião como suplemento de suas necessidades subjetivas. Necessitam da religião como suporte ao deus do império neoliberal. Estes, esqueceram-se do seguimento fiel a Jesus de Nazaré. Deixaram para trás a Utopia do Reino e o Evangelho (Boa Nova) que nos ensina uma espiritualidade no seguimento ao projeto de Jesus baseado no serviço, no amor, na “communitas fidelium” (comunidade de fiéis), no testemunho, na paz, na justiça e num novo céu e nova terra. Corre-se o sério risco das religiões tornarem-se redutos de “eus” (primeira pessoa do singular) e se engavetar o “nós” (primeira pessoa do plural). O eu está no nós. O princípio do seguimento a Jesus é a comunidade cristã que caminha unida. Na comunidade cristã o eu está contido no nós e o nós é o princípio da mensagem do Evangelho que destina-se a todos e todas.
Como descobrir nossa espiritualidade no seguimento a Jesus hoje? Para responder a esta indagação devemos estar abertos na sinceridade de coração ao clamor do povo e ao vento do Espírito. É a partir dessa dimensão que todo cristão e cristã encontrar-se-á enquanto discípulo e discípula do projeto de Jesus. Este projeto nos interpela, nos queima e nos chama a rompermos com as barreiras de nosso tempo e voltarmos ao verdadeiro sentido da nossa espiritualidade, espiritualidade no seguimento ao Reino de Deus anunciado por Jesus.
Claudemiro Godoy do Nascimento
Em nossa sociedade muitos e muitas procuram seguir alguém ou algo. Seguir é uma dimensão humana que mostra o quanto necessitamos de paradigmas que se tornaram na pós-modernidade uma forma de adesão ao grupo social, ao pensamento hegemônico em vigor ou a modismos e tribos sociais desde “punks” a “jovens espiritualistas”, do movimento hip-hop a grupos de esquerda ligados a movimentos revolucionários, de apolíticos a fanáticos de um neonazismo e muitos outros. Todos se encontram nessa sociedade plural na qual vivemos e tentamos conviver. A vivência é inevitável, já a convivialidade se torna conflituosa numa sociedade com tantos grupos, ideologias e tribos de pensamentos e ações que são opostas e diferentes. Por outro lado, apesar de tantas diferenças somos tentados por um novo momento na história que tenta implantar o pensamento único, principalmente, na cultura e na economia. Um pensamento único com diferentes grupos, esta é a nova geografia mundial.
Quando alguém diz que segue a si mesmo quer mostrar (ou pelo menos tenta) que não se encontra ligado a nenhuma forma de doutrina, seita, religião, ideologia ou posição. Muitos filósofos no decorrer da história afirmaram que somos condicionados pela história, pela sociedade na qual vivemos e pela cultura donde nascemos. Neste ambiente construímo-nos enquanto seres humanos e como Pessoa Humana com valores, moral, códigos e signos.
Por isso, seguir é uma atitude humana. Pode-se seguir uma religião como o budismo ou islamismo. Outros seguem doutrinas agnósticas ou ideologias filosóficas. O que nos identifica é o seguimento. A forma de estar seguindo um projeto compreende o ato em si do seguimento. O que se torna diferente é o conteúdo do seguimento. O seguimento, mesmo sendo uma atitude humana, possui sua essência na transcendência. Só se torna seguidor aquele que transcendeu, logo, seguir é uma experiência espiritual.
E hoje, como cristãos e cristãs, como seguir a Jesus? A nossa espiritualidade se define como o seguimento a Jesus e ao Projeto do Pai. Seguir é ter uma espiritualidade. Para os cristãos e cristãs, é nossa espiritualidade. Seguir a Jesus hoje continua desafiando a milhões de pessoas que acreditam no plano da fé em seu projeto. Mas, seguir a Jesus supera o simples ato de fé. Seguir a Jesus significa assumirmos sua causa, suas atitudes, vivendo segundo o Espírito.
Seguir a Jesus hoje significa estarmos conscientes da História que nos cerca e dos desafios que nos atingem em nossas realidades. Antes, no tempo de Jesus, o seguimento se dava sob a realidade do Império Romano; hoje, seguir a Jesus significa estar sob a realidade do Império neoliberal. Viver o seguimento num contexto do neoliberalismo e globalização nesta América Latina e no Brasil, ainda na marginalização social.
O Império neoliberal está conseguindo alastrar e demarcar seu território. Hoje, o neoliberalismo se encontra em setores estratégicos da sociedade como política, cultura, economia e nas religiões. Até mesmo as religiões se curvam ao deus do império. Alguns buscam ser caminho alternativo ao projeto neoliberal, mas já podemos vislumbrar sementes do império penetrados no cristianismo e no islamismo. Por isso, seguir a Jesus hoje se torna um grande desafio para todos nós. Corre-se o perigo de cairmos na tentação do poder, do deus dinheiro, do orgulho, do individualismo, da competição e do consumismo desenfreado. Muitos escolhem a religião como suplemento de suas necessidades subjetivas. Necessitam da religião como suporte ao deus do império neoliberal. Estes, esqueceram-se do seguimento fiel a Jesus de Nazaré. Deixaram para trás a Utopia do Reino e o Evangelho (Boa Nova) que nos ensina uma espiritualidade no seguimento ao projeto de Jesus baseado no serviço, no amor, na “communitas fidelium” (comunidade de fiéis), no testemunho, na paz, na justiça e num novo céu e nova terra. Corre-se o sério risco das religiões tornarem-se redutos de “eus” (primeira pessoa do singular) e se engavetar o “nós” (primeira pessoa do plural). O eu está no nós. O princípio do seguimento a Jesus é a comunidade cristã que caminha unida. Na comunidade cristã o eu está contido no nós e o nós é o princípio da mensagem do Evangelho que destina-se a todos e todas.
Como descobrir nossa espiritualidade no seguimento a Jesus hoje? Para responder a esta indagação devemos estar abertos na sinceridade de coração ao clamor do povo e ao vento do Espírito. É a partir dessa dimensão que todo cristão e cristã encontrar-se-á enquanto discípulo e discípula do projeto de Jesus. Este projeto nos interpela, nos queima e nos chama a rompermos com as barreiras de nosso tempo e voltarmos ao verdadeiro sentido da nossa espiritualidade, espiritualidade no seguimento ao Reino de Deus anunciado por Jesus.
Claudemiro Godoy do Nascimento
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