1 de mai. de 2007

Alerta às vésperas da V Conferência de Aparecida

Talvez esteja enganado, mas penso que muita gente já entendeu a verdadeira intenção do professor Felipe Aquino: ser fator de desencadeamento de retomada de consciência.
Com sua carta a Dom Pedro Casaldáliga ele tinha o escopo bem claro: a V Conferência de Aparecida está às portas e eu preciso fazer minha parte. Parabéns professor. Conseguiu.
Confesso que não o conhecia, na verdade, continuo a não conhecê-lo. Mas recebi uma bateria de artigos, e é bom registrar, um melhor que outro, em resposta à sua carta enviada ao Bispo, Emérito e Benemérito, de São Félix do Araguaia. Evidente que a maioria dos artigos traz alguns estrepes mais ou menos pontiagudos. A primeira vista tem-se a impressão de uma celeuma. Porém, todos os artigos, curtos ou longos, são excelentes. Acabava de degustar um artigo e outra já ia entrando na telinha. Alguém deveria fazer uma compilação, vai resultar num volume de muita boa qualidade.
Esta carta do professor Aquino dirigida ao nosso amado pastor, poeta e profeta, Dom Pedro Casaldáliga foi o vetor do alerta.
Confesso que também tive vontade de escrever ao professor. Não o fiz e considero esta atitude uma graça.
Dentre os mortais, pude perceber que o professor não prestou um desserviço à Igreja como escreveu um dos articulistas. Ao contrário, está prestando um serviço de primeira grandeza à Igreja. Sua simples cartinha continua despertando tantas pessoas queridas, cheias de dons, a sair de suas tocas.
Por todos os lados “pipocam” manifestações escritas e faladas de uma beleza ímpar. Confesso que ao ler, reler e treler, como escreveu um teólogo, tive verdadeiros êxtases. Quanta produção de qualidade incomparável continua sendo realizada às vésperas da V Conferência de Aparecida. Os nossos eleitos para a Conferência dispõem de farto e rico conteúdo, antigo e novo, para bem abrir e encerrar o documento final do encontro.
O professor Aquino, sabendo que alguns dos nossos baluartes, de saudosa e santa memória, não estariam mais presentes à Conferência, por serem eméritos ou mesmo por já terem partido para a pátria definitiva, outra coisa não fez senão atiçar nossos teólogos, bispos, padres, leigos(as), consagrados(as) para em nome dos que foram “tirados do campo”, como ele disse, trouxessem à tona a memória deles e, consequentemente, seus testemunhos eloqüentes de amor à Igreja e, de maneira especial, aos pobres, preferidos de Deus. Pena que o professor e quase todos os que escreveram não mencionaram o nome de um importante baluarte da Igreja: o nosso saudoso e santo bispo conhecido como o “DOM”, sim, o Dom Helder, que o Papa João XXIII chamava de “cardenaleto mio” e João Paulo II o chamava de Pai dos Pobres, apesar de ter agido sempre como pai de todos. Sempre tratou todas as pessoas com respeito fraterno e em especial os pobres.
Professor Aquino, quero parabenizá-lo pelo êxito alcançado. Seu alerta está sendo ouvido e respondido à altura.
Não posso pensar de outro modo. Creio que nem Pe. Jonas iria permitir que o senhor pudesse fazer parte do quadro da Canção Nova se não percebesse que o senhor tem respeito pelos grandes e santos pastores desta Igreja. Valeu o alerta.
Parabenizo-o por vários motivos:
-Porque o senhor realmente teve esta inspiração, ou seja, de acordar muita gente para resgatar a memória de nossos santos pastores e profetas. Destarte, “estarão conosco” na 45ª Assembléia Geral da CNBB e dali “partirão”, também, para a V Conferência de Aparecida, para continuarem, em nome do Deus da Vida, a inspirar nossos delegados a não deixarem cair a profecia, como nos pediu Dom Helder; para não nos separarmos da maior riqueza da Igreja, os pobres, como pediu Dom Luciano; para a Igreja continuar sendo missionária, profética, coerente com o Evangelho, a exemplo de Dom Casaldáliga e todos os pastores citados na sua carta e daqueles que não foram citados também.
-Porque com a sua cutucada, creio que a V Conferência será verdadeiramente um novo Pentecostes, com a presença espiritual e inspiradora dos santos pastores grafados pelo senhor e de todos os que já gozam da visão beatífica e os corações e mentes abertos dos nossos delegados que serão fiéis a Jesus Cristo e ao tema que o Papa Bento XVI nos deu: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nele nossos povos tenham vida”. Como o Papa está por dentro da nossa realidade, ele sabe que a maioria dos nossos povos da América Latina e do Caribe são excluídos da vida. Portanto, está de acordo com o próprio Jesus que disse: “Vim para que todos tenham vida”. Todos, disse Jesus, e não somente algumas pessoas privilegiadas; e o Papa diz todos os povos e não somente alguns. Realmente, o tema é muito envolvente porque trata da vida e não apenas de dogmas. Claro que os dogmas são importantes, mas devem estar sempre abertos ao sopro contínuo e amoroso, próprio do Espírito Santo, Eterna novidade...
-Porque, pelo seu alerta, pude perceber e sentir que a Igreja no Brasil tem gente capaz, corajosa, sábia, generosa e santa, apesar de pecadora, assim como o senhor que atirou pedra somente para confirmar que estas árvores foram e continuam sendo frutíferas, e acertadamente um dos Bispos disse no seu artigo: “Professor Aquino, as pedras que o senhor atirou para o alto serão transformadas em estrelas brilhantes”. É poético, é verdadeiro! Realmente, professor, o senhor fez justiça à memória de nossos pastores que estava caindo no esquecimento da nossa Igreja.
Verdadeiramente a leitura de toda a produção dos nossos hábeis e perspicazes articulistas, provocada pelo senhor, me fez exultar. Estou degustando, através dela, o Reino Definitivo por antecipação.
E, por último, porque sei que muito mais se escreverá sobre nossos santos bispos, alguns deles entre nós e outros que já partiram, mencionados e não mencionados pelo senhor, para que a memória e a prática deles se perpetuem entre nós.
Desde já estou feliz em poder ler e buscar viver o caminho percorrido pelos nossos santos pastores no seguimento do Pastor Eterno Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida.
Normalmente não escrevo porque não sou escritor. Não sou teólogo. Sou apenas um bispo matuto que busca reconhecer a presença de Deus na vida e na realidade do nosso povo e daqueles que estão a serviço do povo, especialmente do que não têm vez e voz.
De todos os mencionados, o que mais conheci foi Dom Luciano. Luz de Deus. Ah, que falta sinto dele, meu irmão professor. Você fez tanto bem para a minha alma saudosa e creio para muita gente, fazendo tantas pessoas escreverem sobre ele. Até para dar uma ajuda, para qualquer pessoa, ele pedia licença antes, com toda a humildade que lhe era peculiar.
Não escrevo, mas rezo um pouco. E, todos os dias, peço a intercessão dos que o senhor mencionou e de outros não mencionados, que já estão na casa do Pai e mais do que Pai é Mãe, como disse João Paulo I.
João Paulo II, Dom Helder, Dom Luciano, Dom Ivo, Dom Hipólito, Dom Romero, Ir.Dorothy,Pe. Burnier, Margarida Alves, Chico Mendes...intercedei pela V Conferência de Aparecida , por todo Povo de Deus e especialmente pelos mais sofridos. Amém.

Dom Luiz C. Eccel
Bispo Diocesano de Caçador

3 comentários:

Anônimo disse...

que pena D.Luiz, existe muita ironia em suas palavras, e isso não vem de Deus... que pena...

Anônimo disse...

Caro, Dom Luiz, não o conheço, mais, posso dizer que fiquei muito feliz com sua carta, e digo mais,em meus momentos de oração,rezarei, por todos nós,e pelo Sr. em especial,que de forma muito carinhosa se denomina Bispo matudo,peço que abençoi esse simples missionario do Nordeste do Brasil.Que nossa Senhora Aparecida abençoi cada um de nós e também a todos que estão em assembleia, na Assembleia da CNBB,e para finalizar, peço: Dom Fragoso, rogai por nós.

Anônimo disse...

Para quem ainda tem dúvidas sobre quem é D.Pedro Casaldáliga, vejam em:

http://www.brasilparatodos.org/